quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
O Lado Fabuloso do Mundo
Passei um bom tempo decepcionada no final da minha infância com as amargas descobertas de que as coisas fantásticas que descobri no meu início de vida não existiam. Eram apenas fábulas, histórias que contamos para as crianças. As fadas, os duendes, os unicórnios, papai Noel... Puta tristeza! E o príncipe? Esse foi a MAIOR das decepções...
Foram tempos difíceis, meus castelos ruíram, digo literalmente mesmo. Eu nunca ia tomar um pó mágico e voar, nem mais tentar ficar acordada para flagrar o bom velhinho descendo a chaminé, muito menos procurar os ovos escondidos pelo coelho na Páscoa e os dentes de leite seriam entregues diretamente para o meu pai. O lúdico foi morrendo para dar lugar ao cinza. E com o passar dos anos, eu parei de enxergar.
Mas agora, já “careca” de tão adulta, comecei a perceber que nem todas as fábulas não existem. Alguns personagens fantásticos existem sim! Mas por existirem nós não os enxergamos de um jeito lúdico, viram coisa comum.
Repare bem nos cachorros, por exemplo. Eles são surreais! É incrível que eles existam mesmo! São peludos, fofinhos, inteligentes e muito bom corações. Seres felizes, companheiros, amigos, fieis. Dedicam toda sua vida ao seu dono. Eles poderiam muito bem fazer parte de uma bela história: “A Princesa Alice e seu Cachorro” e só. Eu ia passar a vida sonhando em ter um...
Unicórnios não existem, mas e os cavalos? Acho-os incríveis também. Minha avó materna morava em um haras, em Campinas. Convivi muito. Não podia montar neles, eram cavalos de corrida, ariscos. Eram lindos, altos, fortes, não resistia e ia lá na cocheira fazer amizade. E fazia mesmo, chamava pelo nome e eles vinham. Sentava na cerca do pasto e pedia cafuné e eles faziam. Era uma lambança, eles coçavam minha cabeça com os dentes. Voltava para casa com o cabelo cheio de baba verde, mas eu era criança e era gostoso.
E os golfinhos, baleias e até o tubarão? Afinal, toda fábula precisa de um vilão. Vagalumes, borboletas e joaninhas. As flores, a neve, o deserto. Cachoeiras aquecidas a 30 graus por vulcões, o mar fluorescente por plânctons, o lusco fusco, a neblina, a chuva, a lua, o sol. Têm muitas coisas fantásticas nesse universo. Basta você enxergar.
Até o príncipe encantado eu descobri que existe. Só que não existe um só e não costuma ser príncipe. Mas encantado, sempre. E o amor, esse sim, é sem dúvida a maneira mais fabulosa de viver a vida real.
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