quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Na Fila da Saúde

Se tem uma coisa que me deixa triste nessa vida é ir a um hospital. Não sei, mas sempre que estou na espera de ser atendida, reparo muito na fragilidade humana, na minha fragilidade. Na carência humana, na minha carência. Alguns estão tão mal que mesmo com a família, médicos e equipamentos em volta, está tão sozinho... A dor deve ser o sentimento mais solitário do mundo. A alegria você até consegue compartilhar, mas a dor meu amigo, a dor é sempre só sua. Se você tentar dividi-la, no máximo, vai pagar de chato.
Outros nem estão tão mal, mas querem ser percebidos, ter alguma atenção, alguém que se importe, mesmo que esse alguém seja um médico. Talvez para se sentirem um pouco mais especiais. Outra coisa que me chama atenção em um hospital é o paradoxo dos fumantes na entrada. Esbanjando e gastando saúde, enquanto a poucos metros outros morrem sem ao menos terem colocado um cigarro na boca. E os médicos? Indo e vindo com seus jalecos, sempre cheios de saúde e sabedoria. Médico adoece e morre também? Quando estou em um hospital, eles me parecem imbatíveis! Se não tivesse uma prima médica, ia acreditar que eles foram produzidos pela indústria farmacêutica. Quando acaba o plantão, eles se recolhem em um armário do próprio hospital e é isso, máquinas humanoides... No hospital não há justiça e não existe espaço para preconceitos. Todos merecem e querem viver. Todos clamam por saúde e por mais alguns muitos dias de paz. Acho q é isso q me deprime. "Eu sou mais um de vocês", frágil, suscetível e solitária como vocês. Mais uma vida penada, impotente quando a saúde vacila e implora por mais um dia de boa vida boa... Morrer não está nos planos de ninguém, mas está nos planos da sua trajetória. Enquanto der, relaxa e goza. E quando o diagnóstico fatal chegar, porque ele vai chegar, relaxa e encara. Dê valor em ser saudável, sem dúvida, é o bem mais precioso que alguém tem. Então, quando estiver esbanjando por aí suas bochechas coradas, sua barriguinha saliente de tanto comer delícias e erguer seu copo para mais um brinde, grite bem alto para o universo todo acolher seu pedido: "SAÚDE!!!" E viva a vida!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Enquanto Você Dorme...

Leio um livro, fumo um cigarro, te cubro porque está gelado, penso no almoço de amanhã. O peixe já está descongelado, mas você não é fã de peixe. Você come peixe em dias comuns, amanhã é feriado, você vai querer carne. Quero outro cigarro, faço planos de parar de fumar assim que possível, quando é possível?
Você fala dormindo, já me assustei, hoje em dia acho graça, puxo assunto e às vezes você responde. Te descubro porque você está suado, abaixo o som da teve e vejo o filme lendo os lábios do atores, ascendo um cigarro. Me incomodo com seu ronco e penso em como é dormir o resto da sua vida com uma pessoa, sem perceber que já estamos fazendo isso. Dia após dia dividindo a cama, o beijo, a intimidade. Tem dias pela manhã que até cogitamos dormir separados “de vez em quando é saudável”, mas ao entardecer nos falamos pelo telefone como se nunca tivéssemos dito aquilo e já estamos de novo com um pé encostado no do outro, buscando conforto no meio desse caos. Você, cansado do seu dia, volta a dormir e eu leio um livro, fumo um cigarro, te cubro porque está gelado...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O Lado Fabuloso do Mundo

Passei um bom tempo decepcionada no final da minha infância com as amargas descobertas de que as coisas fantásticas que descobri no meu início de vida não existiam. Eram apenas fábulas, histórias que contamos para as crianças. As fadas, os duendes, os unicórnios, papai Noel... Puta tristeza! E o príncipe? Esse foi a MAIOR das decepções...
Foram tempos difíceis, meus castelos ruíram, digo literalmente mesmo. Eu nunca ia tomar um pó mágico e voar, nem mais tentar ficar acordada para flagrar o bom velhinho descendo a chaminé, muito menos procurar os ovos escondidos pelo coelho na Páscoa e os dentes de leite seriam entregues diretamente para o meu pai. O lúdico foi morrendo para dar lugar ao cinza. E com o passar dos anos, eu parei de enxergar. Mas agora, já “careca” de tão adulta, comecei a perceber que nem todas as fábulas não existem. Alguns personagens fantásticos existem sim! Mas por existirem nós não os enxergamos de um jeito lúdico, viram coisa comum. Repare bem nos cachorros, por exemplo. Eles são surreais! É incrível que eles existam mesmo! São peludos, fofinhos, inteligentes e muito bom corações. Seres felizes, companheiros, amigos, fieis. Dedicam toda sua vida ao seu dono. Eles poderiam muito bem fazer parte de uma bela história: “A Princesa Alice e seu Cachorro” e só. Eu ia passar a vida sonhando em ter um...
Unicórnios não existem, mas e os cavalos? Acho-os incríveis também. Minha avó materna morava em um haras, em Campinas. Convivi muito. Não podia montar neles, eram cavalos de corrida, ariscos. Eram lindos, altos, fortes, não resistia e ia lá na cocheira fazer amizade. E fazia mesmo, chamava pelo nome e eles vinham. Sentava na cerca do pasto e pedia cafuné e eles faziam. Era uma lambança, eles coçavam minha cabeça com os dentes. Voltava para casa com o cabelo cheio de baba verde, mas eu era criança e era gostoso. E os golfinhos, baleias e até o tubarão? Afinal, toda fábula precisa de um vilão. Vagalumes, borboletas e joaninhas. As flores, a neve, o deserto. Cachoeiras aquecidas a 30 graus por vulcões, o mar fluorescente por plânctons, o lusco fusco, a neblina, a chuva, a lua, o sol. Têm muitas coisas fantásticas nesse universo. Basta você enxergar. Até o príncipe encantado eu descobri que existe. Só que não existe um só e não costuma ser príncipe. Mas encantado, sempre. E o amor, esse sim, é sem dúvida a maneira mais fabulosa de viver a vida real.

Dia de Cão...

...DE cadela para ser mais exata. Pois só uma fêmea sabe o que é estar no olho do furacão de uma TPM. Vocês homens, imaginem aquele dia do inferno, quando tudo dá errado mesmo e acrescenta dor de cabeça, insônia, fome, ansiedade, cólica, dor nos seios, corpo inchado, sensação da gravidade ter triplicado de intensidade, vontade de morrer e/ou matar, ódio, choro eterno preso na garganta, espinhas no rosto e uma nuvem negra bem em cima de você.
Nem preciso citar o mau-humor que tudo isso dá. O sobe e desce dos níveis de hormônios enlouquecem o corpo e comandam nossos pensamentos. No meu último dia de cão, eu mandei meu namorado para PQP, sai andando no meio do expediente de trabalho para não acabar sendo demitida, arrumei briga no transito e com a melhor amiga, dei bronca na diarista, e chutei algumas vezes a porta do banco que barrou duas vezes minha entrada. Em casa comi tudo que estava em fácil alcance, intercalando doce, salgado e um cigarro. Já tinha sido estúpida com todos que encontrei aquele dia quando percebi o que estava acontecendo. Não era o mundo que estava do avesso, era eu que estava enlouquecida em fúria, dominada como um fantoche nas mãos da maldita TPM. Legal que somos as últimas a saber. E mesmo após tomar consciência do mal, não conseguimos lutar contra, mudar de ânimo e reverter a situação. É mais forte que nós, vem de dentro essa raiva, o coração bate mais forte, deve ir mais sangue pra cabeça, as pupilas dilatam, o corpo fica pronto para matar ou morrer. A única opção é se trancar no quarto sozinha, se entupir de chocolate e chorar vendo filmes ruins de amor. Mulheres deviam ter licença do trabalho em dias assim. Nem que pudessem trabalhar de casa, mantendo ela e os que trabalham com ela em segurança. Já até existem criminosas que tiveram suas penas reduzidas quando provaram que no dia do crime estavam de TPM. O negócio é real e brabo mesmo, gente! A pergunta que fica é por quê? Por que a natureza tão perfeita faz essa maldade com as mulheres? Deve ser porque, além de perfeita, ela é cruel. A TPM é a vingança da natureza contra a mulher fértil que não fecundou o óvulo e antes de lhe ceder outra chance e iniciar um novo ciclo, ela se vinga do desperdício... Só pode!